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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

24
Fev18

A cor da Dor

por Sílex

 

 

 

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Ontem de manhã perdi-me

perdi-me, mesmo...

À minha beira.

Aflita tentei encontrar,

alguém para me ajudar

a trazer-me de volta ao caminho

de onde me extraviei.

 

 

Mas um Eu, sempre sozinho

que se afasta dos demais

quando os quer, 

também não os acha...

Terá de de valer-se só,

sacudir medos e pó

e trazer-se de novo ao trilho... de onde se afasta

 

 

Ontem de manhã, estava eu

a entrar tardinha, dentro

perdi a orientação do tempo...

E perdi-me, sem querer.

Ninguém me veio salvar.

Talvez por não me ouvirem gritar

E príncipes já não haver.

 

 

Ontem de manhã perdi-me

nos teus olhos cor de mar,

ao ver-te assomar... amor

Juro que só estava a brincar,

ali, na beirinha d'água...

E não a lavar a mágoa

que tinge o meu peito, de dor.

 

 

 

 

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24
Fev18

Menina

por Sílex

Foto de Maria De Fátima Soares.

 

Deixem-me voltar a ser assim

Porque esta...

Já não sou, Eu

Hoje, não gosto tanto de mim

e num mundo de inveja e de guerras,

vivo mergulhada no breu

 

Quero resplandecer novamente

como o Sol ao levantar-se...

E brincar, despreocupadamente

tal qual as pedras e os regatos,

a correr e a saltitar,

pelas escarpas e pelos matos

 

Quero ser como os rouxinóis

Os peixes, a enganar os anzóis

e as estrelas do Mar...

Banhar-me na água salgada

 para a areia deixar-me levar

e ficar por lá deitada

 

Quero deixar nela marcada...

Na praia,

[de lés a lés...]

A planta lisa dos meus pés,

que de planta,

não tem nada.

 

Deixem-me voltar para trás.

Não crescer,

desiludir. 

Não me ferir por amar

Apenas saltar...

E rir.

 

Deixem-me voltar a ser assim

Uma singela flor de jardim,

que vive despreocupada...

 Alheia ao que pensam de si

e sem temer,

ser cortada

 

 

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22
Fev18

Para que quero o futuro?

por Sílex

 

 

 

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Perdi os meus ontem contigo

e ao levares os meus presentes

que futuro,

esperas que tenha?

 

 

Depois de ti...

Embrulhei o tempo num pano.

afastei de mim todo o espelho

onde me fixem, os olhos que te amam...

 

 

Há séculos que me não toco

Não me assomo a um vidro limpo

já nem sei se me penteio...

Apenas sinto que me lavam, as lágrimas que brotam do céu.

 

 

O sangue fugiu-me das veias

a cor das faces, seguiu-o

esqueci o que era estar quente

porque desde que estás ausente, é o frio... que habita em mim

 

 

Arrastei-me pelo mundo sozinha

com este ar desvairado, 

até... por os pés em ferida viva,

me ver de todo impedida, de encontrar-te, meu amado

 

 

Teci os meus sonhos contigo

e não lhes sei dar outro dono.

Desconheço e renego outro corpo

que me possa trazer à vida... Me vele, em tranquilo sono.

 

 

Perdi os meus ontem, contigo

e ao levares-me os presentes, 

deixando-me neste cárcere escuro

cortaste-me os laços à vida... Para que quero o futuro?

 

 

 

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22
Fev18

Sussurra-me...

por Sílex

 

 

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Vem ver-me à tardinha

Quando  os malmequeres já fecham

e as aves longos voos abortam

a cidade se esvazia, de correria e tormento

no Tejo as ondas amainam,

porque já não sopra o vento

e tudo está como deve, 

poucos têm aonde ir...

Vem, meu amor, ver-me à tardinha

quando a vida por fim suspira

e se senta quieta a um canto...

Acabando por dormir.

 

 

Vem ver-me à tardinha

Quando o corpo não é só carne

mas busto talhado em mármore

resultado de memórias minhas

que ficam impressas em ti.

Vem ver-me à tardinha...

Quando a noite se avizinha

o desejo é assassino

por crimes de Amor procurado

e o destino, não é só Fado

mas o caminho...

Que escolhi.

 

 

Vem ver-me à tardinha

Que no silêncio do meu quarto

os meus lençóis perfumados

exigem corpos suados

avidamente abraçados

acabados de adormecer

Vem, meu amor, ver-me à tardinha

que andei todo o dia agitada,

amaldiçoando os relógios

que vomitam horas, sem tino 

que faltam, para te ver.

Vem ver-me, hoje à tardinha...

 

Vem depressa,

depressinha...

Com ânsia igual à minha,

sussurrar-me o teu, querer.

 

 

 

 

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22
Fev18

Perdoa-me...

por Sílex

 

 

 

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Perdoa-me...

Hoje, não tenho poemas para dar-te.

Perdi o fio à meada.

Não encontro o início da linha.

Não sei onde pus a caneta

e o que fazer a uma superfície tão vasta... 

Esbranquiçada.

 

Perdoa-me...

Hoje uma simples folha,

parece-se com uma estepe nevada.

Eu? Não tenho frio, mas sinto-me gelada

não me encontro...

Não sei onde pus, o que antes facilmente encontrava.

Creio... que estou louca, ou tudo me foge. 

 

Perdoa-me...

Porque pretendia escrever-te.

O mais belo dos poemas fazer-te, 

mas não consigo.

Caem-me as letras dos dedos...

Saltam-me as lágrimas aos olhos.

E nada se conjuga, em tempo algum... com um Amor passado.

 

Perdoa-me...

Tinha imenso para dizer-te, antes de tudo se escapar

e apenas ficar[me]... 

Este ar desamparado e no olhar desenhado,

o que talvez recomponha.

E quem sabe  resuma.

Um poema falhado.

 

"Não me importa o passado.

Amo-te... ainda"

 

 

 

 

 

 

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21
Fev18

Meio Mulher. Meio Bicho...

por Sílex

 

 

 

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Ainda que eu falasse a língua dos anjos

possuísse a beleza das estátuas

o dom, das fadas...

 

Ainda que eu esvoaçasse como os pássaros

fosse alva como a Lua

morassem-me estrelas nos olhos...

 

Ainda que eu cantasse como as sereias

andasse vestida de espuma

cheirasse a urze e jasmim...

 

Ainda que não fosse este ser,

meio bruxa, meio bicho

que eu não fosse, apenas isto...

 

Meio louca e insubmissa

revoltada, angustiada. Uma areia movediça,

eterna errante, sem estrada...

 

Dizei-me, por favor dizei

não vos poupeis nas palavras

se eu fosse anjo, fada ou sereia...

 

Estátua, pássaro, feita de espuma

Se eu fosse... a própria Lua

De que me adiantava? 

 

 

 

 

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20
Fev18

Vida a Matiz

por Sílex

 

 

 

 

 

Quando a vida não é mais

que horas bordadas a matiz,

sobre tecido transparente

com fios lassos e nós na raiz,

resultam anos esburacados

e traços descoordenados

 cujo ponto não é mais

que um emaranhado infeliz!

 

 

 

 

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19
Fev18

O momento em que a perdeu

por Sílex

 

 

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Sempre que o olhava,

tentava...

Paralisar o tempo. Emoldurar o momento

eternizar a emoção.

Talvez no fundo soubesse, 

como tudo era fugaz, 

que só podia desfazer-se, 

na palma da sua mão...

 

 

Mesmo que as mantivesse fechadas

com as unhas, 

na carne marcada,

da força com que queria prender

o dele, ao seu coração...

Pressentia.

Que não seriam capazes

de durar, mais do que um sopro... 

Numa noite de Verão.

 

 

Ainda assim...

Duraram anos. 

Em que ambos intervalaram

por raiva, ou demasiada paixão

a continuidade do fluxo

que lhes explodia nas entranhas

completamente apavorados com a força daquele tornado,

que os cegava e enlouquecia...

Os arrebatava do chão.

 

 

Tentou recuperá-la depois

já ela estava muito longe...

Mesmo ali, na sua frente.

E se tremia por dentro, 

como ele abanava por fora, até começar a gaguejar

nunca lhe deu a entender

quão frágil era aquele muro

que entre ambos, ela pusera,

e com que rapidez e estrondo... ele podia desabar

 

 

Sempre que os seus olhares se encontravam

muito depois...

As mãos tão próximas,

quase se davam...

Nenhum dos dois vacilou.

Nem quando um dia lhe disseram

como ele se sentia miserável

e que havia revelado, existir uma mulher

que o seu mundo transformou.

 

 

Talvez dizendo-o a quem disse

quisesse que ela o soubesse

equacionaria que voltava,

para cair nos seus braços, esquecendo mágoa e a raiva

que suporia sentir.

Enganou-se, redondamente.

Custava-lhe a afastar-se para sempre

mas o seu sempre, é permanente, quando nada mais a prende. 

Não há lugares aonde ir.

 

 

 

 

 

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19
Fev18

O Cinza dos Campos

por Sílex

 

 

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Num dia como este...

Fazer-te um poema, era desperdiçar 

tempo e vida.

Despe-te, só...

E ama-me.

 

 

Une-me...

Porque ando dividida.

Num dia como este é pior. 

Nunca me vejo no espelho, e preciso...

Avidamente das tuas mãos na carne, para tactear-me

 

 

Num dia como este...

Em que o Tempo fuma calmamente um charuto cubano

no alpendre da Preguiça 

e tudo está indistinto, coberto do cinza.

Despe-te só... e biza.

 

 

As carícias,

dos preliminares.

Os sussurros e os arfares.

Dá-me o que tens... que te pagarei em dobro.

Num dia como este, poetar-nos... é perder o fôlego. 

 

 

Deixar um traço sangrento na pele rasgada...

E após escancarar de gozo, um sorriso no rosto,

uma nódoa negra, exibida no peito,

a prova, de algo feito... A preceito.

Com gosto.

 

 

Num dia como este...

Perder-me em rimas, é desperdício

Prefiro ter-te dentro, a escorrer-me pelos poros.

Saberes-me na boca, a vagas e sal.  

Nos ouvidos, estalarem-me... hinos satânicos.

 

 

 

 

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18
Fev18

Desimportas-me

por Sílex

 

 

 

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Por pequenino que fosse

um sopro apenas...

Podia existir-me dentro,

um minúsculo pensamento

outrora monumental

sobre ti. 

 

 

Mas deixei de saber quem eras

desimporta-me o teu nome

o percurso, 

o destino.

Podia. Podia ser pequenino. 

um tilintar somente...

 

 

É inútil.

Irreversível.

Morreste[-me] completamente.

A mim...

Desimportas-me.

És-me indiferente.

 

 

Um dia...

Espevitaste-me.

Apeteceste-me.

Tiveste poder sobre mim.

Depois... foste-me arrefecendo

Até me dominar por completo... esta desimportância de ti.

 

 

 

 

 

 

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Mais sobre mim

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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