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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor, alguns já estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

24
Nov17

CARTA AO PAI NATAL

por Sílex

 

 

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Escrevi com muito jeitinho
a melhor caligrafia e carinho
uma carta, ao doce velhinho
de barbas e cabelo branquinho
que distribui pelo mundo fora
os presentes de Natal...

 

Pedi-lhe, um pouco acanhada
que este ano, não faltasse nada
a quem já tanto sofreu.
Àqueles que ficaram sem casa
que lutaram para tudo salvar,
mas mesmo assim... tudo ardeu

 

Disse-lhe mesmo sem mentir
que podia prescindir,
de todas as prendas em meu favor
Porque o maior presente de todos
é termos saúde e paz
e um Lar cheio de Amor.

 

 

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22
Nov17

Duvida até da verdade

por Sílex

 

 

 

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Lágrimas?

Quando é que me viste chorar escondida, 

ou permitir-mo abertamente?

Fraquezas, desgosto...

Diz-me quando no meu rosto, 

te mostrei algum sinal, desse mal,

que me fazias

e as minhas agonias, 

por achá-lo injusto. Despropositado?

 

Dores?

Quando é que me queixei,

quantas vezes devastada, soubeste o que sentia

quando a minha alegria,

no meu olhar, se espalhava...

Naquele brilho, tão intenso

que só acontece a quem chora,

antes de neles se formar... como agora,

uma lágrima? 

 

Remorsos?

De ter amado.

Ter assumido e penado.

Talvez desses conta,

entre tanto...

Mas eu logo o desmentia.

Todo o meu rosto sorria,

com a alma,

lavada em pranto.

 

O que sabes tu de mim?

Quando perante ti... não chorei

Desmenti o que sentia

E cobri com euforia

golpes e sangue, que vertia,

Estoicamente aguentei

tudo o que pudesse merecer,

mais, o que de todo merecia?

Nada!

 

 

Não sabes, nada.

Entre aquilo que se escreve

e o que se sofre calada...

Há um deserto de sentido,

também teu, desconhecido... para onde se foi atirada.

Uma garganta na montanha,

perigosa e afunilada...onde as paredes são punhais

que nos rasgam a pele sem clemência,

até não restar carne, pegada.

 

Lágrimas?

Dores, remorso...

Porque haveria de confessar, alguma vez te contar

o que me fizeste sofrer

e por maldade sangrar?

Será a minha arrogância tamanha...

Que jamais, até que morra, te direi o que padeci?

Para quê? Basta-me que me consideres um insulto.

Que duvides de mim, em tudo. Até se gostei de ti.

 

 

 

 

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21
Nov17

Inexistência

por Sílex

 

 

 

 

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Claude Monet

 

 

Na total ausência de cor,

o eco do silêncio, ao centro.

E ela...

Comodamente sentada, na isenção de mobiliário...

Admirava a noite,

antes de cair,

no quadro pintado, afixado,

naquela parede nua, da galeria.

Perdera a noção do tempo em que chegara,

desconhecia, por completo,

a hora...

A que sairia.

 

 

Se lhe perguntassem o que vira

nada diria.

Na ausência de cor, era irrelevante se nenhuma figura rabiscada havia

O eco do silêncio...  por seu turno...

Calar-se-ia,

nunca a trairia.

Ela, sabia.

Ela...Também não existia.

Nunca se houvera sentado,

perante um quadro, não pintado,

afixado...

Na parede nua, de uma hipotética galeria. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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20
Nov17

Sempre Inverno

por Sílex

 

 

 

 

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Sinto as pedras nos pés descalços,

além sola, dos sapatos

que não isola,

a dor.

 

Sinto uma farpa, na palma da mão. Um vidro a furar-me o coração.

Uma corda cingida ao pescoço,

e ai de mim se...

Tropeço.

 

Porque não chove, sufoco

Sofro, hiberno

Abomino este Sol, arrogante, de Inverno...

e se água não cair... morro.

 

Porque te calas,

não canto. 

E escrevo. Escrevo tanto...

que me dissolvo.. 

 

Nem sei a quem escrevo... e para quê?

O que quero. O que me preencheria.

A única certeza que tenho... É de que podia ser sempre Inverno.

E chover, sobre mim... todo o dia.

 

 

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17
Nov17

Entre Fumos e Monstros

por Sílex

 

 

 

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Dormiria, talvez...

Não encontrava a minha casa

não conhecia a minha rua

em nenhuma das que vi.

Sentia-me angustiada

e a todos que perguntava, 

ninguém sabia de ti.

 

 

Dormiria, certamente

Como podia esquecer, 

o lugar que escolhi para viver

e o caminho a seguir.

Com os olhos rasos de água

cada vez mais confundida

só me apetecia fugir.

 

 

Dormiria, num sono profundo

que me afastara deste Mundo, 

para outro que não era o meu.

À minha volta só fumo,

o nada, para apalpar,

mesmo quando me quis achar

aquela, não era eu.

 

 

Dormiria, tão pegada

que perdera a minha casa

ou deixara-a roubar.

Sem que ninguém à porta batesse

com arma me ameaçasse,

para os deixar ir...

E calar.

 

 

Dormiria o sono dos justos

deitada entre todos os sustos

e monstros, que jamais vi.

Não encontrava a minha casa, 

até perceber que buscava

o refúgio, dos refúgios

esse Lar... que há em ti.

 

 

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Noutro mundo, 

noutro, ambiente

noutro tempo,

noutra, hora...

Dir-te-ia, sim.

 

 

Noutra vida.

Noutra galáxia

Outro modo de lá chegar...

Sem aviões, nem de foguetões precisar

Sim, dir-te-ia. 

 

Talvez...

Entre um não possível.

Uma desilusão terrível,

uma altercação irreversível

que te afastasse, para sempre de mim.

 

 

Desilude-te.

Os meus sins...não te pertencem.

Nunca! 

É que nem...

Talvez

 

 

 

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15
Nov17

O Caminho faz-se, caminhando

por Sílex

 

 

 

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Desencarrego-te de culpas.

Não precisas pensar em mim.

Por isso...

Agride.

Fere,

esfacela...

Corta!

Está, tudo bem.

Desencarrego-te... de teres consciência, também. 

 

 

Desencarrego-te de remorsos e desculpas...

O que é isso, 

e por que o dever, afinal?

Por isso...

Humilha.

Desconsidera

Atraiçoa.

A quem um dia, bendisseste,

mas que admitir... não convêm.

 

 

Desencarrego-te, de sequer pensares

que um dia, tudo se acerta

e que irás morrer pela certa, 

pl'o que mataste.

Por isso...

Aproveita.

Pisa.

Destrói.

Que te desencarrego, de tudo fazeres e aconteceres... só porque ainda dói.

 

 

 

 

 

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15
Nov17

Prometo-te ser um Túmulo

por Sílex

 

 

 

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Vou guardar tudo o que me dizes... a sete chaves

Como guardo no meu corpo

o amor que me dás,

os teus odores e sabores.

 

Vou fechar as cortinas

selar os lábios

manter todas as portas fechadas, tapar-lhe as frinchas

para o que me dizes... ficar entre ambos.

 

Prometo-te ser um túmulo

quente e confortável

onde te podes deitar e dormir,

com os meus braços à volta.

 

Um túmulo que podes explorar

e profanar, vezes sem conta,

sem culpa.

Nem pena. 

 

Prometo-te ser um túmulo

os teus segredos guardar. A eles os meus, lhes juntar

e nada dizer, sobre o que nos respeita.

Ainda que línguas se afiem à volta, deixando-nos de margem, uma linha estreita

 

 

 

 

 

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14
Nov17

Canela e Hortelã

por Sílex

 

 

 

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Amor...

Eu sou pinheiro, 

urze,

folha.

Canela e hortelã.

Eu sou pétalas de malmequer

sou o útero da Terra

os segredos que o Mar não revela,

ave que anuncia Primavera,

e a Estrela da Manhã.

 

 

 

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14
Nov17

Bicho

por Sílex

 

 

 

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Pintam-me com uma sombra medonha

Uma enorme carantonha

braços e mãos pequeninos.

Rebatem a dobrar os sinos,

desprendem-se da trela os cães

a quem se tira, o açaime...

 

Pintai-me, como quiserdes, pintai-me.

Que não altero um traço, meu

sombrio, ou povoado de breu

impenetrável... que nem a luz, o ilumine.

Porque na minha escuridão,

eu sou o próprio lampião... 

 

Que por se atrever a brilhar,

mesmo, com chama trémula e hesitante 

urge afastar e calar.

Remeter para um lugar, 

onde mofe sem palavra,

porque a sombra que emana... podia eclipsar certa gente.

 

Pintam-me imensa e disforme

corcunda, velhaca e alarve

puritana, beata, traidora.

Mentirosa e difamadora...

Nada de apreço, aqui jaz.

Pintai-me, como quiserdes pintai-me...

 

E mais demãos aplicai-me

com as cores que vos aprouverem

aos que estão, e aos que chegarem

contai-lhes a versão de uma história, que já se transformou numa lenda

porque há sempre quem duvide, e também quem compreenda...

Que nenhum, depois me entenda... isso para mim, tanto, faz 

 

Empurrai-me contra as cordas

Esmurrai-me de alto a baixo

Apedrejai-me a seguir

Porque entre tanto sangue, 

mesmo a morrer e exangue

ainda me fartarei de rir.

 

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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