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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns já publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

28
Abr17

Antes nem agora

por Sílex

 


 


 


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Entre nós nada é como antes


Decepaste a cabeça das flores à nascença,


Cobriste o Sol de panos escuros


Construiste um telhado sob o céu


Encheste os rios de terra,


e agora no mundo...


Como antes de sermos, estamos em pólos opostos


sem perdões para dar,


palavras de permeio,


 


 


Quando me empurraste do teu pedestal


caí desamparada, 


sem agarrar-me a nada,


estou magoada


e ao segundo mais distante.


Inventei uma galáxia privada


e erigi nela uma bolha de vidro fosco


com um respiradouro no centro


sem abóbada no topo.


 


 


Estou bem aqui.


A anos luz de tanta insensibilidade


Vives de ilusões passageiras.


Não percebes nada. Distingues com uma miopia aguda,


as emoções falsas, das verdadeiras


Entopes-te de teorias e mentiras piedosas


Frases afiadas, certezas inabaláveis


conceitos pouco fiáveis...


Afinal quem és tu?


 


 


Estranha-me à vontade


porque sou diferente.


Passeio num mundo onde não há gente


Venho de um passado onde os anos não contam


e as eras, não tolhem, ou envelhecem...


Mas moldam. 


Ensinam.


Nada entre nós ficou como antes


nem quero.


 


 


Nunca destaparei de novo o Sol para que sorrias


e nem retirarei a terra dos rios, 


para que neles mergulhes.


Jamais devolverás às flores as cabeças de que foram privadas


Tampouco deixarei o céu livre de telhas para que respires


Não há perdões nem palavras para doar


Cordas, por onde atravesses a pulso para a mim chegar...


Nem lugar para ti ao meu lado,


no mundo que escolhi


 


 


Poderia existir para todos.


Não, para ti


 


 


 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire
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