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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor, alguns já estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

27
Abr17

Avião de Papel

por Sílex

 


 


 


 


Resultado de imagem para avião de papel


 


 


 


Escrevi o meu nome na água


e lancei-o ao alto mar,


mas não lhe pus mastro nem vela


provisões, para subsistir 


nem um mapa...


Para voltar.


 


Escrevi o meu nome na água


para que se reflectisse no céu


e onde quer que estivesses


ao vê-lo assim reflectir-se, 


juntasses o teu...


Ao meu.


 


Mas o meu nome não voltou.


Assim, não sei se o teu encontrou


ou se no céu se fez notar


Como queria ter notícias sem  providências  tomar,


para que espelhado no azul,


nele pudesses reparar?


 


Quando azul é mar e céu,


difíceis de separar


e um nome tão comum, 


como o meu é,


neste mundo


não se pudesse afogar...


 


Escrevi o meu nome na água


e pus-lhe ao lado o verbo amar


para lhe fazer companhia


e ver se assim se percebia


que eras o porto que queria


e que ele devia alcançar.


 


Pobre nome naufragado. Deixou-me um travo amargo,


nos pulmões cheios de sal


Os mares deve ter cruzado, tempestades enfrentado 


porque um dia desisti, de escrevê-lo no areal.


Só para que o visses no céu,


quando pilotavas garboso o teu avião de papel


 


 


 


 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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