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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

14
Nov17

Bicho

por Sílex

 

 

 

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Pintam-me com uma sombra medonha

Uma enorme carantonha

braços e mãos pequeninos.

Rebatem a dobrar os sinos,

desprendem-se da trela os cães

a quem se tira, o açaime...

 

Pintai-me, como quiserdes, pintai-me.

Que não altero um traço, meu

sombrio, ou povoado de breu

impenetrável... que nem a luz, o ilumine.

Porque na minha escuridão,

eu sou o próprio lampião... 

 

Que por se atrever a brilhar,

mesmo, com chama trémula e hesitante 

urge afastar e calar.

Remeter para um lugar, 

onde mofe sem palavra,

porque a sombra que emana... podia eclipsar certa gente.

 

Pintam-me imensa e disforme

corcunda, velhaca e alarve

puritana, beata, traidora.

Mentirosa e difamadora...

Nada de apreço, aqui jaz.

Pintai-me, como quiserdes pintai-me...

 

E mais demãos aplicai-me

com as cores que vos aprouverem

aos que estão, e aos que chegarem

contai-lhes a versão de uma história, que já se transformou numa lenda

porque há sempre quem duvide, e também quem compreenda...

Que nenhum, depois me entenda... isso para mim, tanto, faz 

 

Empurrai-me contra as cordas

Esmurrai-me de alto a baixo

Apedrejai-me a seguir

Porque entre tanto sangue, 

mesmo a morrer e exangue

ainda me fartarei de rir.

 

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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