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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor, alguns já estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

14
Jul17

Cega

por Sílex

 

 

 

cegueira[1].JPG

 

 

 

 

Há nos meus olhos tanta vida...

No meu peito, expectativa,

nas pernas, jaz, lentidão

a vontade de ir nos pés...

Que na maior parte das vezes,

se fica, por aqui,

continua a seduzir-me.

 

Mas para onde ir-me?

O que procuro, lá...Como é que chego.

Onde será que fica...

O lugar onde as pernas me levem,

sobre uns pés sem asas

e às vezes...

Um coração de chumbo?

 

Há tanta vida nos meus olhos que um dia...

solto-os.

Dou-lhes carta branca,

para que partam e cheguem

e tiro daí a ideia.

Que me escrevam de lá...

um postal bonito, é já, grato.

 

Já que eu, sempre inquieta e ansiosa

não parto...

Deixo-os ir.

Para que se cumpram 

já que nunca me cumprirei eu.

Há tanta vida nos meus olhos... E toneladas de pedras, na alma,

agarram-me aqui.

 

Se tu me levasses, ia.

Mas não sabes onde estou

Como, chegas.

Aonde, fico?

O que farias aqui... depois,

e comigo.

Há tanta vida nos meus olhos... que nunca hás-de ver. 

 

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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