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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

22
Nov17

Duvida até da verdade

por Sílex

 

 

 

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Lágrimas?

Quando é que me viste chorar escondida, 

ou permitir-mo abertamente?

Fraquezas, desgosto...

Diz-me quando no meu rosto, 

te mostrei algum sinal, desse mal,

que me fazias

e as minhas agonias, 

por achá-lo injusto. Despropositado?

 

Dores?

Quando é que me queixei,

quantas vezes devastada, soubeste o que sentia

quando a minha alegria,

no meu olhar, se espalhava...

Naquele brilho, tão intenso

que só acontece a quem chora,

antes de neles se formar... como agora,

uma lágrima? 

 

Remorsos?

De ter amado.

Ter assumido e penado.

Talvez desses conta,

entre tanto...

Mas eu logo o desmentia.

Todo o meu rosto sorria,

com a alma,

lavada em pranto.

 

O que sabes tu de mim?

Quando perante ti... não chorei

Desmenti o que sentia

E cobri com euforia

golpes e sangue, que vertia,

Estoicamente aguentei

tudo o que pudesse merecer,

mais, o que de todo merecia?

Nada!

 

 

Não sabes, nada.

Entre aquilo que se escreve

e o que se sofre calada...

Há um deserto de sentido,

também teu, desconhecido... para onde se foi atirada.

Uma garganta na montanha,

perigosa e afunilada...onde as paredes são punhais

que nos rasgam a pele sem clemência,

até não restar carne, pegada.

 

Lágrimas?

Dores, remorso...

Porque haveria de confessar, alguma vez te contar

o que me fizeste sofrer

e por maldade sangrar?

Será a minha arrogância tamanha...

Que jamais, até que morra, te direi o que padeci?

Para quê? Basta-me que me consideres um insulto.

Que duvides de mim, em tudo. Até se gostei de ti.

 

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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