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01
Mai17

Hei-de voltar à Praia

por Sílex

 


 


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Hei-de regressar à praia e rebuscar na areia


a menina que brincou


a jovem que ali andou


a cantar ao som da guitarra


enquanto o sol se escondia, 


cansado de brilhar todo o dia,


lá ao fundo, sob o mar.


 


Hei-de voltar para buscar,


depois de muito procurar


a mulher que ao oceano confessou


as mágoas de um amor abortado


aquela que por lá ficou, 


quando as costas lhe voltou,


toda sal e ainda amor, a ecoar por todo o lado.


 


Hei-de revolver, junto à orla


onde a espuma beija a areia


e ela não parece tão fina...


Sinais daquela menina, que corria, ria e saltava


nos braços do mar se atirava,


sem se preocupar se voltava...


A pôr o seu pé em terra.


 


Hei-de rever-me lá atrás


a olhar para o que restou de mim


e de tanto querer, que no fim


foi como a onda mais alta, 


mais intensa e também zangada


que me abalroou de repente 


deixando-me por terra prostrada...


 


Para depois ser a espuma, que fica ali a borbulhar


e a evaporar-se no ar


quando a onda se retira, 


depois de esventrar a areia


e sem dó nem piedade a deixa ali, só e molhada


como tantas vezes me deixou,


em lágrimas de sal afogada...


 


Com um tambor no coração


a ribombar de paixão,


e as mãos cheias de nada.


 


Sem perceber a razão


porque, se não tinha de ser


escolheu esta mulher... para a deixar esventrada.


 


 


 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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