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26
Jun17

INSEPARÁVEIS

por Sílex

 

 

 

 

Resultado de imagem para mulher gaiola

 

 

Tenho um pássaro azulado, que debica, entusiasmado,
dentro do meu peito fechado
pedaços do meu coração,
destroçado
e olha para mim...
Parecendo sorrir com os olhos,
arrancando mais um naco,
deste músculo irreconhecível,
que ninguém dirá,
ser possível
ter sido um dia, forte e sadio.

 

 

Há um pássaro azulado, completamente esfomeado
Acima de tudo, contrariado, por se sentir aprisionado
que come por dentro, quem o acolheu...
Vingando-se da solidão e do breu,
a que por mim foi obrigado,
não solta nenhum trinado, devorando insaciado,
este pobre coração...O único que a vida me deu
E os bêbados nas vielas estatelados
envolvidos nos seus vomitados

por piares acompanhados,

serão mais felizes do que eu.

 

 

Trago um pássaro azulado, comigo encarcerado
debicando, no meu peito
um coração já desfeito,
todo ele, ensanguentado...
Acre visão.
Respiramos, os dois, não sei como
e o olhar de puro gozo...que me oferece, a nova dentada,
mostra-me a alma esburacada
e a luz triste, deste aposento,
filtradas através dos buracos,
dos nacos que já me roubou...

 

 

Há um pássaro que jaz morto
e moribundo, há um corpo
que o pássaro da liberdade privou
E uma alma penada, também, ela, encarcerada,
que ao pássaro, deu o que tinha e com zelo sempre tratou.
Desagradada com a vida...numa gaiola dourada,
há uma mulher recolhida,
apática... A olhar um pássaro cruel,
que vingativo não voou,
querendo consigo levá-la, bicou-lhe o coração até à morte
e para lá, a arrastou.

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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