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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor, alguns já estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

08
Jun17

Já nascemos velhos

por Sílex

 

 

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Nascemos velhos, meu amor, não tenhas dúvidas

Mal nascemos, acumulámos mais um segundo 

logo a seguir um minuto e uma hora, 

que nos foi roubada.

E assim será, perdendo tudo

e até o mundo... debaixo dos pés, 

à hora marcada.

 

 

Nascemos já cansados, meu, amor, e já agredidos

a gritar por algo, que desconhecemos ao dizer... presente!

Sou eu. Estou cá.

Sem que ninguém nos ligue e tenha pespegado 

apenas uma palmada...

Que ignoramos, mas, é... 

a primeira bofetada que a vida nos dá.

 

 

Nascemos perdidos, meu amor, e desnorteados

acabados de sair do escuro, para uma luz difusa e falsa,

de candeeiro de tecto, em sala de parto,

E a da janela... falseada, por essa, 

só numa fresta,

do espectro condiz.

E todos nascemos, meu amor, a querer ser feliz.

 

 

Nascemos ingénuos e confiantes, meu amor, e já apaixonados

por um ser que nos olha, toma nos braços e ri,

a que tentamos, entre sombras, restituir nitidez.

Dentro de um clã que é o nosso, já com um número atribuído 

e o pedaço de chão que nos é dado, restrito

Por isso tentamos voar o resto da vida. Alcançar mais pedaços de terra, criar asas...

Sem sequer saber, que tombaremos perto do sol, sem resistir.

 

 

Nascemos encantados connosco, meu amor, e o nosso reflexo na água

que nos ficou do útero

e de todo aquele líquido onde nadámos e nos mirámos, ao evoluir.

Somos gente, somos deuses, somos...o mundo de alguém.

E todo o mundo se contrai e fenece, ao soar do gongo,

quando no palco da vida,

o pano cair.

 

Morreremos todos iguais, meu amor, não tenhas dúvidas

O rei, o ministro, o doutor e o pedinte

Sem idade marcada, mas hora imposta... poucas horas de vida após,

sem mesmo ver a luz do dia, em placidez, ou agonia

Aos cinquenta, trinta, noventa, ou aos vinte.

Eis a justeza das coisas e o engano dos néscios...

Que pensam ter descoberto como comprar a eternidade e ficar para semente.

 

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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