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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns já publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

27
Mai17

Lágrimas de Auschwitz

por Sílex

 

 

 

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Talvez só compreenda bem a poesia

quem já olhou nos olhos a morte e sobreviveu

Ao seu lado teve um cadáver anónimo, ou alguém conhecido

que não desistiu.

Apenas não aguentou mais, fechou os olhos e... adormeceu.

 

 

Talvez só possa definir a poesia,

quem viu a barriga de uma futura mãe ser esmurrada

e pelas pernas escorrer-lhe o sangue do filho,

dentro de si desfeito,

aos gritos desesperados acudir-lhe, também consternado, aparando-lhe o pranto

 

 

Talvez seja incompreensível para a maioria

perceber como alguém num teatro de guerra encontra poesia...

Depois de um holocausto, ela ainda exista,

e para cúmulo da ironia,

saia das mãos de quem nunca se esperaria, que fosse escrita.

 

 

Como pode existir poesia, em alguém que morre

nas crianças de braços estendidos, que ninguém alimenta,

ou então, socorre?

Como pode continuar a escrever-se e soar música depois de tudo, a nada reduzido

não se calar o mundo, dos seus actos pérfidos, arrependido?

 

 

Talvez seja quem tudo de pior e mais feio viu

que saiba definir poesia

Grato porque lhe é dada a graça de escrevê-la

Valorizando-a mais do que quem pela iniquidade nunca passou,

para poder agradecer o verdadeiro dom, de enaltecê-la.

 

 

Talvez sejam os que depois de acabado

nunca mais o esqueceram

Que sabem traduzir por palavras, tudo o que eles e outros sofreram

E perante esses só nos reste emudecer e em respeito ficar,

deixando as vozes de quem já não pode, pelas mãos deles falar.

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire
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