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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

07
Out17

O FRESCO NO TECTO

por Sílex

 

 

 

 

o_fim_dos_desejos1.jpg

 

 

Há um quadro triste, pendurado e quieto

no centro do tecto.

Não é um fresco de mestre pintor.

Não tem moldura de madeira...

Rendilhados de gesso ao redor.

Apenas... duas lágrimas, escorrem,

qual pérola,

de um coto de vela, num candeeiro apagado, 

ao tecto pregado.

 

 

É um esboço do passado... meio acabado, 

quase inatingível, 

já imperceptível, pela humidade e o tempo.

Tal qual o lamento do vento, 

numa sala enorme, pouco mobilada,

onde a janela está, também, esburacada...

Algo carcomida

pelo bicho, o desleixo e os azares da vida.

 

 

Há uma mancha no soalho

da infiltração evidente

da lágrima que brota, de onde não se nota

pudesse haver gente.

Há a imagem que alguém, ali quis imprimir

para longe a esconder, de olhos que odeiam,

e jamais permitiriam.que numa parede

um rosto singelo

se pudesse exibir

 

 

 

 

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2 comentários

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De O Gil a 08.10.2017 às 16:24

Excelente poema! Parabéns!
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De Sílex a 09.10.2017 às 10:41

Obrigada! Uma boa semana.

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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