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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor, alguns já estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

25
Abr17

O meu dia

por Sílex

 


 


 


 


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“Sempervirens” = “viver para sempre”


Embora um dos seus nomes populares seja “árvore da morte”.


 


 


 


Existirá um dia com o meu nome, 


a minha hora derradeira, 


o minuto crucial.


Nele, cairá sobre os meus olhos a noite eterna.


Abater-se-à sobre o meu peito uma montanha gelada


a petrificar-me o coração. 


Sob as minhas mãos, a paralisia das pedras.


 


 


Existirá um dia em que não serei mais  hoje,


nem amanhã.


Só uma lá atrás.


A minha gargalhada apagou-se.


O meu perfume, não incorpora o ar


e não te enviarei mais beijos


porque serei, em breve pó.


 


 


Existirá um lugar só meu, de onde ninguém me resgatará.


Um calhau polido com um rosto, que ri, sem motivo capaz


O silêncio agreste onde nada, já me é perguntado


Muitos palmos de terra, provavelmente sem vista para o mar.


Ciprestes abjectos a extraírem da terra o sustento que os eleva  aos céus,


e um milhafre que volteia, sem se cansar...


Um labirinto de cruzes e de anjos cegos, cujos pés estão soldados ao chão.


 


 


 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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