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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns já publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

02
Mai17

Papagaio de Papel rasgado

por Sílex

 


 


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Quando te foste embora


as mãos gelaram-me.


Os pés não me conduziam a nenhum lugar


A boca onde a música cantada,


era frequente


fechou-se num silêncio fundo


que julguei durar eternamente


 


 


O corpo doía-me.


A alma definhava.


Os olhos expressavam-se na sua língua salina


e tudo à volta era mar.


O nariz deixou de cheirar.


O comer não ia para baixo.


A respiração, não saía sem rasgar-me por dentro.


 


 


O dia parou, naquela hora


não houve mais noite,


embora escurecesse


o mundo andava ao contrário


eu mareada, com tudo e com nada


deixei de orientar-me.


Respeitar-me. Querer-me e arranjar-me.


 


 


Quando te foste embora...


Levitei.


Perdi massa.


Fiquei fina, 


Não conseguia agarrar-me à terra


e pairava,


sem expectativa de voltar.


 


 


Devia ter um fio agarrado,


como um papagaio de papel rasgado


que alguém puxou,


por achá-lo, mesmo assim engraçado


talvez...


Não sei.


Nunca perguntei.


 


 


Quando te foste embora, morria aos poucos.


Mas nunca cortei os pulsos.


Não te troquei por mais,


persegui, nem amaldiçoei.


Tinhas, ido.


Pronto. Ponto.


Doía. Despedaçava, mas aceitei.


 


 


Mesmo sendo duro, procurar-te


onde costumas estar e achar o vazio... quis sobreviver, 


sem saber por que viveria.


Quando te foste embora, desmantelei-me


Gritei.


Não devias, mas foste... 


Eu fiquei.


 


 


 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire
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