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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

09
Ago16

ROCHAS HUMANAS

por Sílex

 

 

 

 

 

Não ando de mal com a vida, 

por ela me ser madrasta. 

Aturo-a, como, me atura a mim,

tento honrar a minha casta. 

Tarefa, talvez conseguida... na realidade, não sei,

desde que no mundo, fui parida,

é na terra que andarei

até chegar o meu fim.

 

Pariu-me uma mulher pequenina,

[rosada e tão perfeitinha...]

que gigante sempre foi.

Semeou-me nela um homem,

cujos olhos eram um jardim...

A quem tive sempre por herói

e ao observar a sua sina,

se fez exemplo pr'a mim.

 

Eu parecia uma boneca, 

mimada por pai, mãe, avó e irmão

de delicado coração,

mas, geniosa vontade.

Pessoas de muita fibra,

que me ensinaram o que sei,

e a ser, na vida, quem sou...

de Rocha, também...na verdade. 

 

Por isso não ando na vida, 

aos murros a ela ingratamente, 

só a aviso, pr'a que se não esqueça

que não há necessidade, 

de castigar tanto a gente. 

Se a nossa passagem por cá 

parece estar destinada, quiçá...

A alguns, privilegiadamente.

 

A vida, como tudo nela,

devia ser melhor repartido.

Não ficarem uns com a gamela

outros com os castelos de vidro.

Terem de contar os tostões,

trabalhar sem ver futuro

quando para muitos, um dedo, 

basta-lhes para derrubar qualquer muro.

 

Mas perdidos alguns amores,

com desumanidade desmedida

roubados, que me foram os maiores

igualmente, sem medida...

Por cá ando aos trambolhões,

canto, choro, luto, caio, levanto-me e... sou mais uma

também digo palavrões,

e sem me perder na amargura... ainda sorrio à vida. 

 

 

“A vida ensinou-me a sorrir para as pessoas que não gostam de mim, para mostrar-lhes que sou diferente do que elas pensam.” 

Charles Chaplin

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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