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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor, alguns já estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

05
Mai17

Saboreia-me

por Sílex

 

 

Foto de Maria Fátima Soares.

 

 

Bebe-me de mansinho,
não de um trago.
Saboreia-me com carinho
bocado a bocado.
Deixa-me ficar na boca e avalia...
A minha idade e a casta
e que mal me ingeres
uma só gota, não basta...
Bebe-me tranquilamente,
passando a língua nos lábios
regalando-te, com a safra.
Engolindo-me a quentura,
fazendo-me girar,
contraluz,
encantado com a figura,
a opacidade e o corpo
e a parte, que mais
te seduz.
Bebe-me, devagarinho
um gole, após um golinho,
saboreia-me com carinho,
e depois de esvaziares,
este copo...
Volta a encher-me,
para de novo, beber-me
e de satisfação, regalares.
Vá...
Bebe-me, lá de mansinho
com esse brilho nos olhos
de quem tem um preciosidade nas mãos...
apurada com os anos
e a cada um melhor.
Bebe-me, assim... de mansinho
e rebola-me entre os dedos
a rebentar de prazer,
já embebedado de amor.

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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