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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor. Alguns estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

 

 

 

 

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Os cabelos dela... 

Eram seda, sob o dedos que os tacteavam

A pele...

Macia como a espuma das ondas de manhãzinha

e o coração...

Frágil. 

De vidro,

depositado nas suas mãos.

Ele... não queria parti-lo.

Mas não sabia como amá-la,

sem tocar-lhe.

Temia entusiasmar-se e magoá-la

e uma lágrima sua,

seria a morte.

 

 

Os cabelos dela...

O calor e a inocência dos seus olhos

A maravilha do sorriso,

 alvo como a neve.

Doce, tão doce...

Como o algodão fofo das feiras.

O cheiro das pipocas acabadas de estalar.

As mãos dela...

Pequeninas e suaves, pareciam as asas de um passarito jovem.

Incertas e perdidas seu tronco,

a face ruborizada, como uma rosa encarnada

envergonhada de o querer. Desejar.

Mas, ele...

Não queria danificá-la. 

 

 

Um dia, sem dizer nada... afastou-se dela e partiu.

Tão zeloso de a conservar,  fê-la  conhecer a dor e quebrar. 

Fechar-se e desconfiar.

E quando se arrependeu e voltou...

Quem estava ali já não era, a menina que conhecera.

A flor que não ousou desfolhar. 

Nos olhos dela...

Já não via estrelas, nem luar

O sorriso resplendoroso...

Fora-se, para não mais regressar.

As mãos e a face, da mulher que quis preservar,

eram alabastro.

Pedra fria e inerte, 

sem emoções para lhe dar. 

 

 

Enlouquecera...

Aquela mulher que amara

Pelo amor traída,

também ela se retirara, partira...

Para um lugar, de onde se não volta.

Os cabelos dela... eriçaram e branqueraram

e em vão os seus braços, ficaram

no regaço em laço, pousados,

onde outrora tinha afagado,

a cabeça do seu amor.

Melhor fora não ter voltado,

e o próprio coração ter destroçado,

vendo-a ali sem o conhecer

E evocar o passado... nos braços daquela mulher.

 

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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