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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor, alguns já estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

13
Mai17

Sombra Danada

por Sílex

 

 

 

 

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Esta loucura entranhada

Esta não pertença a alguma parte

Quanto mais me remendo, mais rasgo,

desfaço o que construí.

Cuspo na fama e na arte,

em tudo que pretendem que seja

e em tudo...

Que aprendi.

 

 

Esta dor desconforme

Este errar sem achar pouso

um rosto em quem confiar.

Um corpo que me retribua ao amar

esta fome que nada mata... Saudade que me é inata,

do que nunca conheci.

Esta dor, este martírio,

corrosiva ausência de ti.

 

 

Ninguém me pode entender

nem eu lhes quero explicar...

Que não sou gente e nem quero, 

ter gente a quem deva palavra,

patrão a quem contentar.

Sou uma sombra danada

uma alma excomungada, 

sem inferno, ou céu para morar.

 

 

Nem o purgatório existe,

para alguém tão desconexo e triste,

que não está bem em algum lugar.  

Não me sigam, nem me adorem

só vos poderá desgostar.

Sou alguém que não aconselho,   

sequer que se olhe ao passar...

Como as maldições e as pragas, sou peçonha a evitar.

 

 

Este loucura, este grito

a razão que teima em fugir

tanto mundo que edifiquei,

que teima constantemente em ruir.

Se me amaste e te magoei, perdoa-me por te desiludir,

quanto mais me remendo, mais rasgo...

Não sirvo a ninguém para amar.

Nem para algo de bom construir.

 

 

Sou um pedaço de noite

em que o dia nunca nasce

um jardim todo semeado, 

onde nem uma erva cresce.

Sou uma ameaça à estabilidade

um cântico sedutor de sereia. 

Uma melodia maldita, 

sou a aranha que aguarda, o alimento na teia.

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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