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Os poemas são criação minha, salvo os assinalados com o autor, alguns já estão publicados. Não autorizo cópia, ou partilha sem autorização (Decreto-Lei n.º 63/85 dos Direitos de Autor e anexos posteriores)

06
Mai17

Tanto, quanto te odeio

por Sílex

 

 

 

 

 

 

Fui um dia um lago onde bebeste sequioso
As margens, onde te deitaste a olhar para o céu vendo-me voar,
sorrindo.
Um pouco de luz entre as nuvens escuras.
A única coisa que desejavas,
mas não dizias.

 

 

Fui um dia o pão que te alimentou as esperas
e os dedos que apontavam na direcção dos sonhos
Fui o centro, de um norte que pomos acima de tudo.
E todas as cores do arco íris, reflectidas num fundo de gelo branco.
Um poema que te satisfez. Um orgasmo nocturno...
Uma erecção matutina, quem sabe?

 

 

Foste-me o sempre que se manteve,
ainda não o conhecia.
O que ficou, depois de atravessar-se no meu caminho...
[Ou seria o meu, que deu de caras com o teu e não conseguiu mais fugir-lhe?]
Foste-me a carne rasgada, quando sem dó me dilaceraste
e a indiferença galopante, que nunca consegui retardar.

 

 

Quisera ser ainda, aquela que te falta.
A única que sobra, depois de todos te abandonarem,
sentada no banco de um jardim deserto, cheio de todo o amor do mundo...
Não sei onde me puseste.
Parece que me esqueceste ou deitaste fora.
Depois de ter-te sido tudo... o que não interessa agora.

 

 

Não penses que por te odiar, não te quero, com a mesma força.
Que não continuarei de pulsos atados, pés esfacelados e a alma destruída,
a caminhar, por entre o nada,
tentando descobrir, onde não a vejo, uma saída.
Fui-te um dia, céu e terra e tudo que havia no meio.
Hoje, nem lago, nem margens. Alimento, voo. Ou devaneio.

 

 

E ainda te amo...
Tanto, quanto odeio.

 

 

 

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Só restos... é o que sou! Um monte de restos, em trânsito pela vida!


Detesto quem me aponta a mediocridade, sem perceber que ser mais do que isto, nunca me importou.
Deixem-se só com a minha insignificância. Contornem-me e não olhem para trás.



"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais."
Charles Baudelaire

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